23/10

– Você, que já deu palestra em vários lugares, já notou uma galera que odeia carioca? “Eu odeio designer carioca porque eles se acham.”; “Eles são muito estrelas.”. No R, eu vi isso claramente. Não entendo o porquê dessa raiva.
– É contra alguém em especial?
– Basta ser carioca. O pessoal fala isso abertamente. Reclamaram que no R tinha muita palestra portfolio, mas o cara de São Paulo também foi por aí e ninguém comentou.
– O bom relacionamento e o mérito abrem espaço. Há distorção, também, e ausência de conteúdo em muitos casos; mas existe um aspecto de acessibilidade a esse profissional, que eu pouco vejo afora. Não tendemos à postura de concorrência voraz, interna – como já vi em colegas paulistanos –, e isso pode facilitar a disponibilidade. De toda forma, é natural que haja ressentimento daqueles pouco representados, o que não é culpa nossa. O espaço existe para uma ocupação ativa.
– Pode ser isso, sim.
– Aí, você volta ao contexto histórico, da visão do “malandro” e todos aqueles rótulos extra-oficiais, talvez perpetuados por uma dúzia de babacas; tipos comuns, que, no caso do Rio, são potencializados. Baianos, pernambucanos e outros tantos são naturalmente folgados, mas a projeção carioca assume.
– Eu fico muito revoltada.
– O destaque é sempre vulnerável.

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